Os sete tipos de descanso: o que aprendi ao passar 15 dias distante do meu WhatsApp, e-mail e redes sociais

"Venham a mim, todos vocês que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso" (Mateus 11:28). 

Após 15 dias de férias, hoje a rotina volta a bater à minha porta. A agenda reaparece, os compromissos retomam seus lugares e as notificações, que durante  15 dias permaneceram em silêncio, voltam a existir. Mas eu não sou exatamente a mesma que saiu de férias. 

Há pausas que apenas interrompem o trabalho. Outras restauram a alma.

Fonte: gerada por IA.

Sempre precisei desaparecer um pouco das redes sociais em diferentes momentos da minha vida fiz pausas do Orkut, do Facebook e do Instagram. A maior delas durou quase dois anos.  Mas agora, durante 15 dias permaneci completamente distante do meu WhatsApp, do e-mail e das minhas redes sociais. Nenhuma mensagem para responder. Nenhuma caixa de entrada para conferir. Nenhuma atualização para acompanhar. Posso dizer, com toda sinceridade, que foi uma das melhores decisões que tomei.

Vivemos conectados a tudo e, curiosamente, desconectados de nós mesmos. A ansiedade das notificações nos convence de que tudo é urgente e alguém espera uma resposta imediata. Aos poucos, sem perceber, deixamos de habitar o presente. Estamos sempre alguns segundos à frente, preocupados com aquilo que ainda chegará. 

Foi somente quando o silêncio ocupou o lugar das notificações que percebi o quanto elas faziam barulho dentro de mim. Nesse tempo, li três livros. Dois deles, escritos por Tim Keller, conduziram meu coração a reflexões profundas sobre ego, Deus, a fé e o Evangelho. O terceiro trouxe preciosas reflexões sobre a prática da meditação, lembrando-me que desacelerar também pode ser um exercício espiritual. Sem pressa, ouvi louvores, fiz devocional, arrumei aquilo que estava desorganizado por dentro e por fora, assisti a filmes sem culpa. Mantive meus exercícios físicos, caminhei, corri, respirei, observei o tempo passar sem a necessidade de registrá-lo e acima de tudo, voltei a desfrutar da companhia de Deus sem horário marcado rs.

Há alguns dias conheci a classificação proposta pela médica Saundra Dalton-Smith sobre os sete tipos de descanso (físico, mental, sensorial, criativo, emocional, social e espiritual). Embora não seja uma teoria da medicina ou da psicologia, sua reflexão me fez olhar para minhas férias com outros olhos.

Ela afirma que não existe apenas o descanso físico, aquele que recupera o corpo através do sono. Também precisamos do descanso mental, quando a mente finalmente desacelera; do descanso sensorial, ao nos afastarmos do excesso de estímulos; do descanso criativo, que renova nossa capacidade de enxergar beleza; do descanso emocional, que nos permite existir sem máscaras; do descanso social, ao escolhermos relações que alimentam, e não apenas consomem nossas forças; e do descanso espiritual, aquele que nos reconecta com Deus e nos lembra quem realmente somos.

Sem planejar, experimentei um pouco de cada um deles, ouvi menos barulho e escutei mais o silêncio. Consumi menos informações e contemplei mais a beleza das pequenas coisas. Organizei a casa, mas também organizei pensamentos. Afastei-me das urgências digitais para me aproximar da única voz que realmente precisava ouvir.

Muitas vezes achamos que descansar é dormir mais algumas horas, mas há pessoas que dormem oito horas por noite e continuam profundamente cansadas. Não porque lhes falte sono, mas porque lhes falta silêncio. 

Meu corpo descansou, minha mente descansou, meu coração descansou e minha fé também respirou.

Hoje retorno às atividades com gratidão. Os e-mails voltarão a chegar. O WhatsApp voltará a notificar, as reuniões preencherão novamente a agenda. A vida continuará exigindo responsabilidade, dedicação e compromisso, mas espero não esquecer aquilo que aprendi nestes 15 dias.

Não fomos criados para viver permanentemente conectados ao mundo, Jesus frequentemente se retirava para lugares solitários. Antes de grandes decisões, depois de dias intensos de ministério e até mesmo quando multidões o procuravam, Ele escolhia o silêncio, a solitude e a presença do Pai.

Talvez descansar seja, antes de tudo, um ato de confiança, é reconhecer que Deus continua sustentando o universo enquanto desligamos o celular e por sinal, faz sete dias que chegou meu novo celular e ele permanece desligado esperando o momento certo do retorno ao acesso à internet.


Hoje volto ao trabalho, mas uma parte de mim deseja continuar guardando esse silêncio que encontrei durante as férias, pois descobri que descansar não é fugir da vida,  é voltar para ela com a alma inteira.

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